A Rede de Micélios e a ficção científica de Cyberamazônia
Ao longo da mitologia criada dentro do universo do Amazofuturismo, o conceito de cyberamazônia, de que a floresta é um personagem, sempre esteve presente. Desde o primeiro livro da série, foi apresentada ao leitor a Grande Consciência Verde, uma entidade quase religiosa formada pelo conjunto de seres vivos do solo, os fungos, interligando as plantas e árvores. A imensa extensão da floresta Amazônica seria o ambiente perfeito para a manutenção de uma consciência coletiva unindo esses seres microscópicos às raízes das grandes árvores.
O tema volta com toda a sua força no conto Amazônia Viva, cujo personagem é a Grande Consciência Verde. Trata-se de uma ficção científica sem personagens humanos, e nele fica totalmente evidente que a Rede de Micélios faz parte do universo amazofuturista criado pelo escritor Rogério Pietro.
Por que Cyber?
A cibernética é a ciência estuda os mecanismos de controle, comunicação e autorregulação em máquinas, seres vivos e sistemas sociais. Comunicação, autorregulação e controle existem na Rede de Micélios. Portanto, considerar que essa rede pode ser explicada por meio da cibernética é algo natural, uma consequência da própria natureza da rede. Os fungos se comunicam entre si pela micorriza, os filamentos estruturais que os compõem. Eles se autorregulam e controlam suas respostas ao meio, influenciando, inclusive, as formas vegetais por meio das raízes.
De onde veio o termo Cyberamazônia?
O termo cyberamazônia surgiu na da união entre a cibernética e a rede de micélios da floresta Amazônica. O conceito ganhou forma na série de livros de ficção científica chamada Amazofuturismo, do romancista Rogério Pietro.
O livro Cyberamazônia
A história é centrada em um grupo de cientistas indígenas de diferentes etnias que descobre uma maneira de se comunicar com a Rede de Micélios. Eles construíram um pequeno e avançado laboratório bem no coração da selva amazônica. O chefe da pesquisa, o professor Wendell Sateré-Mawé some misteriosamente do laboratório. Então, um pequeno grupo de pesquisadores formado pela indígena Taru Ye’pâ-Masa e por Rudá Tatuyo seguem uma longa jornada até o laboratório para descobrir o que aconteceu ao professor Wendell.
Eles descobrem que, para resolver o grande mistério, precisam entrar em contato com a consciência coletiva que se expande bem debaixo de seus pés.
O que você encontra em Cyberamazônia?
Além da ficção científica que tem base no Quinto Pilar do Amazofuturismo, o leitor encontra mistério e cultura no livro. A história se passa 10 anos depois dos acontecimentos contados no livro Amazofuturismo 3: Poder Nativo.
O conceito de miceliais é introduzido no livro. Os miceliais são consciências humanas vivendo dentro da Rede de Micélios. Elas fazem parte da consciência coletiva dos fungos e influenciam suas decisões.
Também é trazida para o livro a lenda do Guaraná do povo Sateré-Mawé. A lenda conta a história de um menino que nasceu com dons especiais, e que foi morto pelos tios. A mãe dele, chamada Oniawasap’i, enterrou cada um dos olhos do menino em um lugar diferente. De um deles nasceu o falso guaraná, que não serve para rituais, e do outro olho nasceu o verdadeiro Waraná, usado em rituais importantes da cultura do povo Saterá-Mawé.
A lenda do Waraná tem papel preponderante no livro Cyberamazônia, e traz para o campo da ficção científica o avivamento e o respeito às culturas indígenas brasileiras.
O que aconteceria se entrássemo sem contato com outra forma de consciência, muito maior do que a de um ser humano, escondida bem debaixo de nossos pés?
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